O Mutirão
Atenção: este é um
trabalho de ficção.
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Em 1590, Portugal foi invadido, D.
Sebastião organizou uma evacuação em massa para o Brasil, onde fundou seu novo
Império. Carente, porém, de homens e necessitando garantir as costas americanas
contra piratas e eventuais invasores, firmou alianças com o inca Túpac Amaru e
o tlatoani Cuautémoc e empreendeu um
grande esforço para assimilar pacificamente os nativos.
O chanceler Fernão Moro – fascinado pelas
idéias de seu avô Tomás Moro – concebe um grandioso plano para civilizar tupis
e guaranis, que sob o lema "morrer se preciso for, matar um indígena
nunca!" foi implementado por ex-jesuítas que, em colaboração com
sertanistas como Brás Cubas e João Ramalho, partiram de Piratininga e do
Maranhão para fundar missões ao longo das bacias do Paraná, Paraguai e Amazonas,
onde ofereceram aos tupis de Santa Cruz, Grão-Pará e Pindorama e aos guaranis
do Paraná os benefícios da civilização lusa, mas os alfabetizaram em sua
própria língua e os educaram no trabalho regular, na cooperação e no desprezo
pelo luxo.
As cooperativas indígenas de produção, que se
tornaram conhecidas como mutirões (de mutirõ, termo tupi para trabalho cooperativo) logo se
espalharam por toda a área cultural tupi-guarani e se transformaram no
principal fundamento social e econômico do Império. Em 1601, o tupi foi
reconhecido como língua oficial ao lado do português e o imperador Sebastião
passou a assinar seus decretos como Imperador dos portugueses e Caraiguaçu dos brasileiros, ostentando com o
mesmo orgulho a coroa imperial e a akangatara
(cocar) indígena.
O crescimento foi tão rápido e bem-sucedido que a
Igreja Ecumênica acabou por perder o controle do movimento. Os nativos logo
assumiram a direção de suas próprias cooperativas e mesmo de seus ritos
religiosos, que acabaram se integrando à Igreja como um rito tupi-guarani
independente.
As riquezas naturais brasileiras e o comércio
com os aliados aceleraram o rearmamento do Império e estimularam o
desenvolvimento da manufatura nas industriosas missões tupi-guaranis que,
através da intermediação dos mercadores portugueses, importaram metais dos
novos centros mineiros, açúcar e algodão das plantações da Bahia e de
Pernambuco e lã de alpaca e cereais dos Andes e exportaram artesanato, armas,
tecidos, bebidas e conservas para mineiros do norte e do sul e para as
opulentas cortes de Salvador, Cusco e Tenochtítlan.
Na década de 1640, os japoneses já usavam mocabas (mosquetes) e mocabuçus
(canhões) importadas das fundições tupis-guaranis, nas quais também foram
criadas as máquinas a vapor que desencadearam a Revolução Industrial. O tupi se
tornou a língua da indústria e da tecnologia e os
mutirões se tornaram uma potência tanto agrícola quanto industrial.
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As colheitas dos mutirões
abastecem os celeiros do Império e do mundo |
Gradualmente, povos de outras origens começaram
a aderir aos mutirões tupis-guaranis ou criar cooperativas de acordo com o seu
modelo: primeiro indígenas de outras línguas, depois imigrantes europeus, asiáticos
e africanos. Atualmente, os mutirões unem brasileiros e imigrantes de todas as
raças, embora a cultura e a língua dominantes continuem sendo
tupi-guarani. Atualmente,
os mutirões são não só o celeiro, como também a oficina do mundo. O coração do
movimento Mutirão, Piratininga, é hoje a maior cidade e o maior centro
industrial do mundo.
Bem-sucedidos na produção e na pesquisa, os mutirões, em
geral, mostram pouco interesse pelo comércio e pelas finanças. Continuam
dependendo das companhias comerciais portuguesas e sefaraditas
para financiar seus grandes investimentos, exportar sua produção e importar as
matérias-primas de que necessitam – embora sejam, em boa parte,
auto-suficientes.
Todos os mutirões providenciam moradia, educação e
tratamento médico a todos os seus membros e garantem o bem-estar de todos,
inclusive dos que não podem trabalhar. Desde o início do movimento, a jornada máxima
de trabalho tem sido de seis horas. O tempo de lazer é muito bem aproveitado. Membros
dos mutirões têm se destacado no esporte, na arte, nas letras e na música,
mesmo sem se dedicar profissionalmente a essas atividades.
Algumas dessas cooperativas agrupam dezenas de milhares de
trabalhadores e têm filiais em várias cidades e áreas rurais. A direção dessas
organizações é complexa e às vezes origina disputas políticas acirradas, que podem
levar à separação de grupos inteiros para formar novos mutirões, ou unir-se a
outros já existentes. Essas campanhas políticas, bem como as disputas
esportivas entre as equipes dos diferentes mutirões, engajam de forma mais
construtiva o espírito guerreiro com que os tupis-guaranis
outrora faziam a guerra e praticavam a antropofagia entre si.
Entretanto, os mutirões têm consciência de seus interesses
comuns e se organizam para defendê-los contra a ganância dos bancos privados e
das companhias comerciais. A casa imperial, com quem o Mutirão tem uma aliança
de longa data, presta-se de boa vontade a desempenhar o papel de árbitro entre as
duas maiores forças políticas do Império, o setor produtivo cooperativo e o
setor comercial capitalista. O primeiro é também o principal esteio do Exército,
enquanto o segundo proporciona as bases da Marinha.
A expressão política do Mutirão é o Partido Popular, que
desempenha, na política do Império, o papel de uma esquerda moderada, entre a esquerda radical, representada pelo Partido Quilombola e a
direita moderada, representada pelo Partido Liberal. Defende a paz, a evolução
gradual da sociedade no sentido de mais igualdade e fraternidade, a promoção
política e social dos súditos do ultramar e a participação popular nas decisões
de governo.
Embora não seja hostil às teses republicanas, não as considera
prioritárias. A monarquia constitucional lhe parece um meio-termo que continuará
aceitável enquanto o Imperador não abusar de seus poderes. Os vice-reinos de
Pindorama, Paraná e Grão-Pará são as principais bases políticas do Partido
Popular, que também é a maior força política na Índia, Malásia e Marrocos e detém
a maior bancada no Senado Imperial.

Na indústria, no exército e nas ciências,
o Mutirão proporciona ao Império Luso-Brasileiro sua espinha dorsal